edição-redação:
Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS
maio/junho
2004
Eletronicaria
- Notícias
e l e t r ô n i c a e l e t r ô n i c a
e l e t r ô n i c a
resumo
áudio-vídeo
automação
informática internet
negócios
tecnologia
telecom
edições
anteriores
Áudio
e Vídeo
*TV
Digital brasileira: poucos bits e muitos comitês
*NET e TVA adotam
transmissão digital
*Disputa
pela nova geração de DVD tem novidades
*DVR
terá padrão
*Hollywood
financiará migração para cinema digital
*TV
japonesa adota o codec AVC/H.264
*Quantos
bytes tem o HD de sua TV ?
*TV
Digital brasileira: poucos bits e muitos comitês
Já no final de 2000 a ANATEL vinha realizando estudos e testes de
campo sobre a DTV- TV Digital. A ABERT (Associação Brasileira de
Emissoras de Rádio e Televisão) e a SET (Sociedade Brasileira de
Engenharia de Televisão) colaboravam no programa, com apoio de técnicos
e laboratórios da Universidade Mackenzie- SP.
São muitas as vantagens tecnológicas e comerciais da DTV. Mas a
migração da TV analógica para a DTV justifica-se também pela
necessidade urgente de reaproveitar as atuais bandas de frequências das
transmissões analógicas para novos serviços, principalmente Telefonia Móvel.
Se as atuais bandas de transmissões analógicas de TV não forem
liberadas, haverá uma paralisia das novas tecnologias de telecomunicação
móvel, pelo esgotamento do espectro de frequências.
No início de 2001 foram feitas demonstrações com canais
experimentais. Esperava-se que em 2002 estariam funcionando os primeiros
canais comerciais, as transmissões analógicas encerrariam em 2006 e
ficaria apenas a TV Digital. Parecia quase certa a adoção do padrão
japonês ISDB-T, com exaustivos testes de campo.
Mas em 2003 sai governo e entra novo governo (ou sai desgoverno e
entra novo desgoverno, se é que há algo novo), e foi tudo para a lata de
lixo. Propostas, projetos, análises, prazos, testes, foi tudo esquecido.
Um ministro nacionalista (Miro Teixeira), apoiado por acadêmicos
do laboratório LSI da USP, sonhou que poderia implantar um padrão
brasileiro de DTV. Nunca explicou quem teria interesse em fabricar a
reduzida escala dos chips necessários para o mercado brasileiro, que estúdios
de Hollywood aceitariam fornecer seus copyrights para o novo padrão DTV
da capital mundial da pirataria, como escapar da mão de ferro de direitos
autorais de estágios padronizados e indispensáveis.
Na atual gestão, com o ministro Eunício de Oliveira à frente, as
atividades consistiram em criar três comitês (??!!?). O SBTV- Comitê de
Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, empossado em
março/2004 com 20 membros, decidirá qual tecnologia DTV será adotada. O
Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de TV Digital, empossado em maio/2004, tem 23 membros de
organizações não governamentais, orienta e aconselha dos outros dois
comitês. O Comitê Gestor gerenciará o projeto.
A previsão é de terminar os estudos em março de 2005, com
implantação efetiva da DTV em prazo não definido. R$65 milhões do
Funttel- Fundo de Desenvolvimento Tecnológico de Telecomunicações
(arrancados dos usuários pelos impostos nas Telecomunicações) ficarão
disponíveis para a nova brincadeira.
Mas se houver mudança de governo, ou mudanças no governo, começa
tudo de novo (com verbas do Funttel). E nos canais analógicos de TV, com
os celulares semi-paralisados, poderemos assistir nossas valorosas lideranças
anunciarem um novo projeto de DTV brasileira.
sobe
*NET
e TVA adotam transmissão digital
NET e TVA anunciaram que adotarão transmissão de TV Digital nas
suas operações de TV a cabo. A novidade começa no 2º semestre deste
ano no Rio e São Paulo. A empresa suíça NAGRAVISION (grupo KUDELSKI)
dará suporte ao projeto.
Embora o governo brasileiro ainda não tenha definido o padrão de
DTV- TV Digital que será usado em território nacional, NET e TVA já se
decidiram pelo padrão europeu DVB. Os equipamentos fornecidos pela
NAGRAVISION são baseados neste padrão.
A tecnologia digital incluirá o uso de cartão inteligente,
facilitando operações interativas como pay per view e compras on-line.
Estima-se uma melhoria de 50% na definição de vídeo, em relação ao
sinal analógico. Também surgirão novos canais pay per view e de áudio,
com qualidade home theater e saída 5.1.
Uma novidade será a possibilidade do usuário implementar o DVR
("digital video recorder"). Acrescentando um aparelho DVR ao seu
televisor, a transmissão on-line poderá ser gravada e reapresentada com
100% de perfeição em outro horário.
A TVA informa que haverá aumento do custo da mensalidade. Mas o
cliente terá a opção de manter o preço antigo, permanecendo com o
pacote analógico básico.
sobe
*Disputa
pela nova geração de DVD tem novidades
Está se aproximando a hora da verdade para o padrão da nova geração
de DVD. Disputam de um lado o HD-DVD, de outro o Blu-Ray - correndo por fora o
EVD chinês. O ganhador terá à sua disposição um gigantesco mercado da nova
geração de DVD, com recursos de alta resolução e regravação. O perdedor
pagará royalties para usar a tecnologia do ganhador, além de perder milhões
de dólares investidos no desenvolvimento de sua tecnologia fracassada. Disputa
semelhante ocorreu com o videocassete - Betamax contra VHS, vencendo este último.
O HD-DVD, apoiado principalmente pela NEC e TOSHIBA e originado no
Forum DVD (responsável pela introdução da primeira geração de DVD)
anunciou sua decisão sobre o codec de vídeo. Na verdade foi uma meia
decisão, pois está sujeita a uma reavaliação no próximo encontro do
Forum. Três codecs de compactação de vídeo foram escolhidos como
obrigatórios em dispositivos compatíveis com o HD-DVD: MPEG-2, H.264 e
Windows Media 9. É provável que no próximo encontro o Windows Media 9
seja retirado da lista.
O Blu-Ray, também denominado BD, fundado por grandes corporações
(PHILIPS, SONY, DELL, HP, HITACHI, LG, PANASONIC, MITSUBISHI, PIONEER,
SAMSUNG, SHARP, THOMSON) admitiu mais um membro de peso- a TDK. O disco do
Blu-Ray tem uma espessura muito fina entre a gravação e a superfície,
de 0,1mm (contra 0,6mm no DVD e no HD-DVD). Isto torna obrigatório o uso
de cartucho, tornando o Blu-Ray fisicamente incompatível com discos CD e
DVD. A TDK, com excelência na fabricação de media, pretende trabalhar
com o grupo e resolver o problema, dispensando o cartucho.
Outro trunfo recentemente anunciado pelo Blu-Ray é o lançamento
de títulos da COLUMBIA TRISTAR no padrão Blu-Ray. A comercialização
destes DVDs está prevista para início de 2006, data do lançamento
oficial do Blu-Ray. A COLUMBIA TRISTAR pertence ao grupo SONY, e será o
primeiro estúdio a disponibilizar seus títulos para DVD.
A SONY continua se aprofundando na sua aposta no Blu-Ray. Firmou um
acordo cruzado com a NICHIA, empresa de maior renome na fabricação de
laser. As duas empresas trocarão cerca de 800 patentes de fabricação do
laser azul-violeta 405nm, usado para gravação e reprodução de DVD
Blu-Ray. A SONY usará esta tecnologia de laser em seus aparelhos Blu-Ray,
e ambas comercializarão o laser para terceiros.
sobe
*DVR
terá padrão
DVR ("Digital Video Recorder") é uma nova tecnologia que está
se popularizando rapidamente. É um sistema baseado no conhecido HDD ("Hard
Disk Drive", Winchester) de microcomputador, capaz de gravar on-line
programas de TV e reproduzi-los posteriormente. Assim, funciona como um super
videocassete digital, trabalhando inclusive com vídeo de alta resolução. 4
milhões de DVRs foram vendidos em 2003, e as vendas crescem 50% anualmente.
A organização TV-ANYTIME foi criada para propor e gerir padrões,
normas e especificações para o DVR. Agora ela se juntou à LIBERTY ALLIANCE,
organização especializada em especificações de segurança no comércio eletrônico,
para estabelecer um padrão universal de DVR.
O padrão facilitaria a conexão plug&play do DVR com outros
dispositivos (TV, DVD, videogame, som, computador, câmera de vídeo). Além do
mais reduziria seu custo de desenvolvimento, pelo uso de estágios padronizados.
A principal fornecedora de drives HD para DVR é a HITACHI. Seu último
lançamento foi o Deskstar 7k400, um HDD de 3,5 polegadas com capacidade
400GBytes, compatível com as interfaces ATA e SATA. Ele pode gravar 400 horas
de programação convencional de TV, ou 45 horas de TV alta resolução, ou
6.500 horas de áudio CD.
sobe
*Hollywood
financiará migração para cinema digital
A película de filme 35mm custa US$1.500. Gravando o mesmo filme como
sinal digital e distribuindo-o por redes terrestres ou de satélites o custo cai
para US$300. Multiplicando por 135.000 salas de cinema no mundo (35.000 das
quais nos EUA) significaria uma economia anual de US$800 milhões.
É esta polpuda quantia de US$800 milhões anuais que fez os estúdios de
Hollywood se reunirem em torno da DCI- Digital Cinema Initiative. Esta organização
está procurando estabelecer normas e especificações para migração do cinema
gravado em películas para a gravação como sinal digital em memória magnética
(tipo HDD) ou óptica (tipo DVD).
Ao contrário do vídeo e áudio digitais (TV, CD, DVD), o usuário não
terá ganhos relevantes de qualidade e recursos. Proprietários de salas de
exibição também nada ganharão com a migração. Assim restará aos estúdios
o financiamento da nova tecnologia. Estima-se que cada sala de exibição gastará
em média cerca de US$70.000 com os novos projetores.
O sistema de projeção certamente será a DLP ("Digital Light
Projection"), tecnologia de retro-projeção desenvolvida pela TEXAS
INSTRUMENTS e já adotada como padrão de fato nesta área. O codec de compactação
do sinal ainda não está estabelecido, concorrendo o MPEG-2, motion JPEG,
wavelet, Windows Media Video, e um esquema proprietário da QUALCOMM.
sobe
*TV
japonesa adota o codec AVC/H.264
O MPEG-4 é o codec convencional, quase padrão universal, de compactação
de vídeo. Mas as complicações de seu esquema de royalties e patentes
(propriedade de grandes grupos industriais) tem prejudicado o MPEG-4, que perde
terreno para concorrentes como o H.264.
Recentemente as 6 principais emissoras de TV do Japão (a estatal JAPAN
BC, e as privadas TOKYO BC, NIPPON TN, ASAHI, FUJI TN, TV TOKYO) desistiram do
MPEG-4 para transmissão terrestre de TV Digital Móvel. Preferiram adotar o
AVC/H.264. Elas pagarão US$2.500 por cada codificador usado para transmitir
sinal de vídeo codificado.
O acordo está sendo considerado como modelo para outras regiões.
Inclusive o Brasil, que analisa codecs disponíveis para DTV- TV Digital
terrestre fixa e móvel.
sobe
*Quantos
bytes tem o HD de sua TV ?
HD é uma das mais populares siglas dos informatizados. Na verdade é
HDD- "hard disk drive", o dispositivo que controla o disco rígido.
Também é conhecido por Winchester, ou ainda FDD- "fix disk drive",
drive de disco fixo. Este último apelido, dado pela IBM quando projetou os
primeiros PCs, está totalmente desatualizado.
O consórcio IVDR está estimulando projetos de HD removível - o disco
HD é retirado de um sistema e encaixado noutro, como um disco CD, DVD, ou
disquete. Por exemplo, música baixada da Internet para o PC é gravada no HD
removível, que pode ser retirado e encaixado em um player MP3. Ou o HD da TV
Digital grava um filme e é removido para outra TV Digital, onde será
reproduzido. Ainda pode-se citar o HD de uma câmera digital sendo removido para
o PC, onde as fotos serão editadas.
As especificações do IVDR incluem uma interface com conector de 26
pinos, com resistência de material para até 10.000 remoções, interface USB
com resistência para até 1.500 remoções. São três os tamanhos de disco
previstos: 2,5 polegadas com 130x80x12,7 mm, mini 1,8 polegadas com 67x80x10 mm,
e 1 polegada com 50x50x8mm.
Os primeiros produtos já estão sendo lançados no início de 2004, com
destaque para o HD removível 1 polegada da CORNICE. A TOSHIBA também prepara o
lançamento de seu HD removível 0,85 polegadas de 2 ou 4 Gigabytes e consumo
0,5W. Telefone celular e player MP3 são os candidatos mais óbvios a
implementarem o HD removível.
sobe
|