edição-redação: Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS  
                              setembro 2000
                     Eletronicaria - Notícias
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                       Tecnologia

      *BLUETOOTH - o fim dos cabos
      
*Globalizando a massa cinzenta
      
*Consumo de energia é referencial para DSP       

 

              *BLUETOOTH - o fim dos cabos

    Nesta era de aparelhos móveis, periféricos e redes um problema vinha aborrecendo a indústria eletrônica - os cabos para ligar toda a parafernália. Algumas gigantes (INTEL, 3COM, ERICSSON, IBM, MOTOROLA, NOKIA, TOSHIBA, depois seguidas por mais 1.600 outras empresas) decidiram criar um sistema universal que substitua os cabos por uma ligação de rádio-frequência, denominado BLUETOOTH ("dente azul").

    O peso pesado do grupo fundador do BLUETOOTH, além das suas óbvias vantagens, são garantias suficientes de que ele se tornará rapidamente padrão universal para. E de fato grandes investimentos já foram feitos pelos fabricantes de semicondutores, com os primeiros chips já aparecendo no mercado.

    O BLUETOOTH é simplesmente um rádio transceptor, integrado num único chip CMOS, operando na faixa 2.402 GHz a 2.480 GHz, com alcance de 10 cm a 10 metros, potência 0 dBm-1 mW (extensível a 100 metros com antena especial, potência 20 dBm-100 mW). Tem programação para criar uma rede com até 256 outros dispositivos que tenham a tecnologia BLUETOOTH. Seu custo inicial foi estipulado em no máximo 5 dólares, valor que deve cair com a produção crescente, como se prevê.

    São três as aplicações previstas para o BLUETOOTH:

1- PONTO DE ACESSO VOZ/DADOS- aqui o caso mais característico será o telefone celular. O computador se conecta ao celular, acessando a Internet (é interessante notar que, durante a operação, o telefone poderá permanecer no bolso ou na mala). Além de ponto de acesso, os telefones móveis de 3ª geração já estão sendo fabricados com tecnologia BLUETOOTH para receber estações de rádio-Internet padrão MP3.

2- INTERCONEXÃO DE PERIFÉRICOS - em princípio o BLUETOOTH visava a conexão de computadores portáteis com seus periféricos. Mas a facilidade que proporciona e seu baixo custo já o pôs nos projetos correntes de computadores de mesa (desktop) - o fim da selva de cabos entre computador, mouse, teclado, impressora, scanner, etc.

3- REDE LOCAL PESSOAL ("PAN"- personal area networking") - esta é a parte mais inovativa do BLUETOOTH, permitindo que duas (ou mais) pessoas, na proximidade de até 10 metros e com aparelhos equipados com esta tecnologia, estabeleçam instantaneamente uma rede pessoal de dados.

sobe

          *Globalizando a massa cinzenta

    Sempre houve muita discussão nas indústrias multinacionais sobre centralização x descentralização das pesquisas. Antigamente havia clara preferência pela primeira alternativa, com bilionários laboratórios nos países desenvolvidos, especialmente os EUA, e praticamente nada no terceiro mundo.
    Agora, entretanto, a globalização da economia está forçando as empresas a descentralizar seus centros de pesquisa (R&D), criando laboratórios e patrocionando pesquisas no estrangeiro. Boa parte deste investimento ainda é de empresas norte-americanas aplicando na Europa, ou vice-versa, mas os países sub-desenvolvidos também já começam a participar.
    Alguns casos se destacam: a norte-americana GE está construindo (US 40 milhões) um centro de pesquisa hi-tech em Bangalore- Índia, sua compatrícia MICROSOFT instala (US 80 milhões) outro em Cambridge- Inglaterra. A sueca ERICSSON e a norueguesa NOKIA mantêm grandes centros de pesquisa na Hungria.
    O grande motivador da descentralização é a customização - em cada local o consumidor tem necessidades específicas, e as pesquisas locais poderão compreendê-las exatamente. Outro é a caça aos cérebros, material raro no mundo da tecnologia - laboratórios locais conseguem identificar e integrar talentos com mais facilidade.
    A Internet vem se constituindo em novo fator de descentralização das pesquisas. Com a Rede é possível compartilhar dados, recursos e tarefas entre laboratórios espalhados pelo mundo inteiro. Um exemplo clássico é o software HOTMEDIA, da IBM: o programa foi desenvolvido na Califórnia- EUA, e simultaneamente feito o debugging no Japão, China e Suíça. 
    Por sinal, a IBM vem aplicando a receita certa para desenvolvimento acelerado de programas: durante o dia uma equipe escreve parte do software, na hora de passar o turno outra equipe em algum lugar deste pequeno mundo assume o programa e continua a tarefa; alternativamente, ao passar o turno a segunda equipe faz correções e testes, deixando o programa limpo para a manhã seguinte da primeira equipe. Claro, tudo isto sob o manto da Internet.
    Mas nem tudo é descentralização. Na área de semicondutores, por exemplo, o processo está sendo invertido. Algumas empresas estão fechando laboratórios e centralizando toda pesquisa em um único local. É o caso, por exemplo, da SUN, com quase todos seus recursos alocados na Califórnia e em Boston. A justificativa é que este ramo exige capital intensivo, sendo melhor aproveitado em poucas unidades. 
    O Brasil praticamente não é citado em relatórios internacionais sobre pesquisa hi-tech, ao contrário de alguns grandes países do terceiro mundo como Índia, México, China. O descaso do governo brasileiro com nossa política industrial, tecnológica e científica (se é que há alguma), aliado à má qualidade de nossas escolas, está nos levando para uma incômoda vizinhança com o 4º mundo.

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      *Consumo de energia é o referencial para DSP

    A partir dos anos 80 os microprocessadores DSP ("digital signal processor", processador de sinais digitais) evoluiram para alta eficiência de processamento, tanto em velocidade quanto em precisão. Isto implicou aumentar o consumo de energia deles (Watts), o que até agora não era problema muito sério.
    O surgimento de pequenos aparelhos portáteis, como o telefone celular, exigiu mudanças no projeto do DSP: agora processador econômico em energia é item crucial, mesmo com sacrifício de eficiência. Além do aparelho, os próprios Centros de Comutação estão chegando ao limite físico de dissipação de calor admitido pelos sistemas de ar condicionado, o que torna o problema mais dramático. E esta situação se repete em praticamente todas as áreas da computação, já que o DSP se tornou dominante em todas elas. 
    Entre as alternativas para diminuir a wattagem está o abandono da VLIW ("very long instruction word", palavra de instrução muito longa), trocanda-o por instruções mais curtas. Com esta alteração as barras de dados ficam menores, resultando menor dissipação. Alguns projetistas estão adotando 1 byte para instruções mais usadas e bytes múltiplos para aquelas que têm uso de menor frequência.
    De qualquer maneira será o objetivo específico do DSP que ditará as normas para seu projeto. Assim existirão lado a lado as duas tendências, DSP VLIW cada vez mais potentes e consumidores de energia, e os novos DSP econômicos de watts e mais modestos.

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