edição-redação:
Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS
fevereiro
2001
Eletronicaria
-
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Negócios
*Apagão
no coração da Eletrônica nos EUA
*Recessão
já atinge indústria eletrônica
*ERICSSON
passa fabricação de celular para FLEXTRONICS
*Nova
fábrica da LG no Brasil
*LUCENT
demite 16.000 empregados
*Apagão
no coração da Eletrônica nos EUA
Após o fiasco das eleições norte-americanas mais outra grave
complicação põe em cheque a credibilidade tecnológica e administrativa daquele país. Falta de energia
elétrica - "apagão" na gíria carioca - tornou-se constante na Califórnia. Pior ainda, a
área atingida inclui o Vale do Silício, região que abriga as principais empresas de
Eletrônica e Informática dos EUA, como a MICROSOFT, CISCO, IBM.
Os apagões duram cerca de 1 hora, a cada vez atingindo uma área,
em rodízio. O objetivo inicial era chegar a uma economia de 1000 MegaWatts, mas medidas de
conservação permitiram reduzir apenas 500 MegaWatts. São afetadas empresas, casas
e iluminação pública. Várias empresas tiveram de interromper o expediente, e
algumas que fazem negócios on-line reportaram prejuízos irrecuperáveis.
As empresas (privadas) encarregadas da eletricidade nesta região
são a PACIFC GAS AND ELECTRIC e SOUTHERN CALIFORNIA EDISON. Ambas estão quase quebrando, com baixas cotações nas
bolsas. Companhias de eletricidade vizinhas se recusam a repassar potência para elas, a não ser que o governo avalize a operação.
As autoridades locais informaram que os apagões continuarão.
sobe
*Recessão
já atinge indústria eletrônica
As previsões de recessão na indústria eletrônica
mundial para os dois próximos anos começam a se confirmar neste começo de 2001.
Para a indústria de semicondutores as empresas de consultoria, como DATAQUEST e VLSI RESEARCH, estão prevendo crescimento
de apenas 5%, contra cerca de 40% nos anos anteriores. A má performance das empresas
no 4º trimestre de 2000 e queda nos pedidos para 2001 são os principais indicativos desta
deterioração do mercado.
O esfriamento da economia norte-americana é a causa primeira.
Mas conta também estoques muito acima do normal, que agora estão sendo desovados. Com o
vertiginoso crescimento da indústria eletrônica nos últimos anos - principalmente
computadores pessoais e telefonia móvel - começaram a faltar componentes eletrônicos.
Para se precaver da escassez as indústrias mantinham altos estoques, que no
momento se tornaram desnecessários. Resultado: estas indústrias agora além de
não comprar estão vendendo estoques.
Tinha-se como certo que eletrodomésticos e PCs sofreriam queda
de vendas. Mas havia esperança que a telefonia móvel mantivesse altas taxas de crescimento. Com os
últimos relatórios da NOKIA e da MOTOROLA estas esperanças se desfizeram, deixando
claro que também os celulares seriam atingidos pela recessão.
Alguns analistas estão vendo a crise por outro ângulo: enquanto a
maioria das atividades deve ter índices negativos nos próximos dois anos, o mercado de Eletrônica
apenas diminuirá seus índices de crescimento - mas ainda continua sendo crescimento.
Para a Eletrônica no Brasil a consequência mais imediata é
o reaparecimento de vários componentes que estavam esgotados. E certamente
preços menores, já que a oferta aumentará bastante.
sobe
*ERICSSON
passa fabricação de celular para FLEXTRONICS
É crescente o uso de "contract
manufacturer" .
Neste tipo de operação uma empresa contrata uma indústria para fabricar seus aparelhos (uma espécie
de terceirização da fabricação). A indústria contratada é especializada em fabricação
para terceiros, operando globalmente, o que lhe dá vantagens de escalas. Na
área de Eletrônica a "contract manufacturer" é conhecida por EMS-
"electronic manufacturing service".
As principais EMS são a canadense CELESTICA,
a twainesa SOLECTRON e a FLEXTRONICS de Singapura. Todas têm filiais no Brasil. Elas são contratadas
por empresas como a NEC, PHILIPS, NOKIA e outras gigantes da Eletrônica.
A ERICSSON acaba de entrar neste esquema, contratando a FLEXTRONICS. A
partir de abril a empresa sueca irá abandonar totalmente a fabricação de telefones
celulares, que será assumida pela EMS. A FLEXTRONICS tinha feito um
contrato semelhante com a MOTOROLA.
O contrato inclui a produção da matriz na Suécia mais as filiais
Brasil, Malásia, Reino Unido e parte dos EUA. Isto envolverá a transferência de 4200 funcionários da
ERICSSON para a FLEXTRONICS.
A ERICSSON do Brasil garantiu que não haverá demissão de seus
1000 funcionários na fábrica de São José dos Campos - SP, que serão transferidos para a FLEXTRONICS.
A mudança faz parte da estratégia da ERICSSON para enfrentar as
dificuldades que vem passando, com prejuízos de US$ 155 milhões no último trimestre
de 2000. A empresa pretende dedicar seus esforços no desenvolvimento de produtos
para celulares 2,5G e 3G, além de GPS.
sobe
*Nova
fábrica da LG no Brasil
Atualmente a LG mantém três fábricas no Brasil. Duas delas, em
Taubaté - SP e Manaus - AM, estão em plena produção e a terceira em Manaus funcionando a partir de setembro.
Especialistas da LG Eletronics internacional estão agora no Brasil
buscando definir a localização de uma 4ª fábrica, que deverá estar em
operação a partir de 2002.
A nova fábrica da LG produzirá placas de circuito impresso PCB
multicamada e componentes eletrônicos básicos. A produção visa abastecer as outras unidades, para
sua linha de televisores, monitores e telefones celulares.
No ano passado a LG importou US$ 200 milhões de componentes para manter
sua produção. A nova unidade fabril irá reduzir bastante esta cifra, além de acelerar
e melhorar os processos de produção.
sobe
*LUCENT
demite 16.000 empregados
A LUCENT, uma das maiores indústrias de Eletrônica do mundo,
enfrenta crise aguda. Originada da cisão nos EUA (determinada pela Justiça) da empresa
ATT, destacando-se na produção de componentes óticos e telecomunicação, chegou a um
faturamento de US$ 8 bilhões em 1999.
Com a queda do faturamento no ano passado para US$ 5,84 bilhões, prejuízos
trimestrais que chegaram a US$ 1 bilhão, restou-lhe tentar uma reestruturação. A
empresa deverá abandonar algumas atividades (inclusive está vendendo o BELL LABS, o maior centro de
pesquisas de Eletrônica do mundo), reduzir seu quadro de pessoal e concentrar-se nas áreas de maior lucratividade.
O corte de pessoal atingirá 16.000 funcionários. Destes, 6.000
deverão ser recontratados para serviços que serão terceirizados. A LUCENT não pretende demitir
pessoal da área técnica, pelo contrário - está procurando e admitindo pessoal de talento
em novas tecnologias.
sobe
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