edição-redação:
Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS
fevereiro
2001
Eletronicaria
-
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Tecnologia
*Universidade
de Buffalo testa Itanium
*Reconhecimento
de voz: quase realidade
*Universidade
de Buffalo testa Itanium
A INTEL resolveu romper com a compatibilidade dos processadores
80xxx, lançando o Itanium. Enquanto os antigos 80xxx tinham arquitetura de 32 bits - operam
com 32 bits de dados de cada vez - a nova linha Itanium adota a arquitetura 64 bits.
Assim, todos os softwares escritos para a família 80xxx (incluindo o Pentium) não
rodarão no Itanium.
O Itanium não é apenas mais um processador. A começar do preço,
cerca de US$ 4.000 no atacado, mais adequado para servers e máquinas de alto desempenho.
Sua velocidade, estimada em 3,2 Gigabits de operações por segundo, é apropriada
para cálculos científicos. Vai demorar ainda algum tempo até que apareça em simples
desktops.
Para avaliar o Itanium, desenhando seus traços definitivos, a
SILICON GRAPHICS montou um computador baseado nele e encarregou a Universidade de Buffalo de testá-lo.
O centro computacional desta universidade é um dos melhores do mundo, com capacidade
de 350 bilhões de instruções por segundo.
Nos testes será usado software de engenharia molecular para
analisar toda a lógica dos 10 milhões de transistores do Itanium. Outro ponto
a ser pesquisado será qual a velocidade máxima do chip, rodando em sistema
operacional comum e softwares comerciais.
sobe
*Reconhecimento
de voz: quase realidade
Nas últimas décadas nos habituamos a falar com os dedos:
keyboard, calculadora, comandos teclados, mouse. Parecia tudo muito eficiente e perfeito. Mas nossos dedos
não estariam sobrecarregados com tantas tarefas? E por acaso alguns dos nossos comportamentos e
intenções não estariam tendo interpretação muito limitada com a simples
digitação? Nossa voz, poderosa função do ser humano, não estaria sendo sub-utilizada?
O reconhecimento de voz ("speech recognition" em Inglês) é uma
iniciativa neste sentido. Basicamente, fazer com que um processador numérico traduza nossa fala
para sua linguagem. E é aqui que começam problemas, de tal monta que até pouco tempo
atrás considerou-se que seria impossível chegar a reconhecimento de voz completo.
Nossa linguagem não é um dom natural (aliás a boca, órgão da
fala, não foi desenvolvida para isto). De fato é uma instituição, aceita e
compartilhada pelos que a praticam, com todas as vicissitudes e virtudes de uma instituição humana. Já a linguagem
do processamento deriva de tecnologias eletrônicas e matemáticas, dentro de padrões
muito mais rígidos e estreitos.
Desta diferença resulta que só um treinamento específico pode
traduzir a linguagem humana para a linguagem numérica do processador. Treinamento em dois
sentidos: (1) o humano deve treinar como falar ao processador, de maneira a encaixar-se na
rigidez de sua linguagem (2) o processador deve ser treinado para identificar numericamente
as características da linguagem do humano, obtendo dados suficientes para traduzi-la.
No atual estágio temos dois campos de aplicação para reconhecimento de voz. O
primeiro é a conversão fala-texto. Sua aplicação é mais imediata, como ditar cartas e
e-mails. O segundo é fala-comando, com aplicações muito mais amplas. Uma palavra,
devidamente traduzida pelo processador, desencadeia uma ação instrumentalizada, como
abrir um aplicativo no computador, fechar a porta do carro, adotar uma tática em
videogame.
Nada disto é ficção. Dois programas comerciais - ViaVoice da IBM e
NaturallySpeaking da DRAGON SYSTEMS - dominam com certa perfeição esta tecnologia.
Especificamente para jogos temos o software Game Commander 2, da SONTAGE
INTERACTIVE, que admite comandos verbais para vários games de aceitação
popular.
Obviamente eles exigem o duplo treinamento, do processador e do usuário, que pode
durar meia hora ou quase um dia inteiro - de qualquer maneira os programas são projetados
para se treinarem permanentemente, sempre adicionando dados sobre os padrões de fala
do usuário.
Tanto o ViaVoice quanto o NaturallySpeaking têm 4 versões (e 4
preços), variando do básico a características avançadas. O programa da IBM exige um processador de 300 MHz,
64 MBytes de RAM e 510 MBytes livres no HD. O NaturallySpeaking precisa do mesmo
hardware, mas funciona também só com 150 MBytes de HD.
O problema maior para brasileiros será a língua - Inglês americano,
é óbvio. Para os programas funcionarem adequadamente com Português brasileiro ainda devem
ser feitas muitas pesquisas da nossa desconhecida língua. Algumas pesquisas relevantes estão sendo feitas
no NILC- Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional, na USP de São Carlos-SP. O NILC reúne pesquisas desta universidade, da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e da UNESP de Araraquara.
sobe
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