edição-redação: Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS 
                            maio/junho  2001
                     Eletronicaria - Notícias
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   *Áudio digital ainda não decolou
   *MPEG definirá cinema digital
   
*ITU aprova padrão de rádio digital AM
    
*TV digital dos EUA é uma bagunça
    
*ANATEL abre consulta pública de TV digital   

 

  *Áudio digital ainda não decolou 

    Os principais fabricantes de CIs para áudio digital concordam que este setor ainda não decolou. Os principais obstáculos são preço alto (um player de áudio digital MP3 custa mais de US$200) e problemas com direitos autorais das músicas.
    TEXAS INSTRUMENTS, CIRRUS e MICRONAS, os principais fabricantes, entregaram em 2000 cerca de 7 milhões de chips para áudio digital, com previsão de 42 milhões em 2004. Mas estes números não são suficientes.
    A indústria acredita que somente com a queda no preço de players e definição sobre tecnologia de direitos autorais será possível expandir o uso de áudio digital. O item mais caro do player - a memória flash - está com preços em queda, o que ajuda muito. Na parte de direitos autorais aguarda-se para breve a adoção de um padrão de DRM ("digital rights management"), que dará mais confiança a indústria, usuários e artistas.
    Enquanto isto o uso de áudio digital MP3 na Internet divulga a tecnologia e prepara o mercado. A MICROSOFT está introduzindo a versão beta do serviço gratuito de rádio no seu portal MSN; a REAL NETWORKS, em sociedade com três grandes gravadoras, lançou o serviço pago MusicNet; e a MTV está ultimando o serviço pago RioPort  para download de música através da Internet..

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     *MPEG definirá cinema digital

    Em julho de 20001 o MPEG ("Moving Picture Experts Group", grupo de especialistas de imagem em movimento) fará um congresso em Sidney, Austrália. Lá serão tomadas as primeiras decisões sobre cinema digital.
    Ainda não há definição sobre o padrão a ser adotado para cinema digital. Várias propostas apontam para um sub-padrão do MPEG-4, também indicado para Internet 3ª geração. Outras facções preferem uma padrão próprio, como MPEG-5, desvinculado das especificações do MPEG-4.
    No momento o cinema digital interessa mais aos estúdios cinematográficos que às salas de exibição de filme. Somente Hollywood está gastando anualmente cerca de US$ 1 bilhão para imprimir as películas, e a tecnologia digital reduziria consideravelmente esta quantia. 
    Mas para as salas de exibição um projetor custa US$ 200 mil, mais um decodificador orçado em US$ 60 mil, preço muito acima da realidade atual. Mas há consenso que estes preços cairão e o cinema digital entrará no cotidiano.
    Afora a exibição de filmes comerciais o cinema digital tem outras aplicações de grande interesse. Entre elas o arquivo de filmes - que seria mais barato e confiável que o atual sistema de película. Também a reprodução ao vivo de HDTV- TV digital de alta resolução - as salas de exibição apresentarão nas suas telas tamanho cinema a programação de HDTV.

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 *ITU aprova padrão de rádio digital AM

    A ITU ("International Telecommunication Union"), órgão que regula as telecomunicações internacionais, aprovou o IBOC como padrão de rádio digital AM, nas bandas abaixo de 30 MHz.
    O IBOC ("in band - on channel") foi desenvolvido pela empresa norte americana iBIQUITY. Nos EUA o IBOC está em vias de ser oficializado pelo FCC como padrão de rádio digital. A empresa espera que até o final do ano seu sistema FM também seja recomendado pela ITU.

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  *TV digital dos EUA é uma bagunça

    Há algum tempo atrás o governo estadual da Califórnia resolveu privatizar o setor de energia elétrica, resultando uma bagunça tal que sobrevieram apagões e total desconfiança. O presidente da NAB - associação de emissoras de TV dos EUA - disse que a adoção naquele país da DTV- TV digital - está seguindo o mesmo caminho.
    Na Europa a DTV vai sendo implantada com sucesso. É baseada no sistema DVB-T e mesmo no estágio inicial já passou da casa de 1 milhão de usuários. Nos EUA sequer chegou a ser implantada e o sistema adotado - ATSC - é questionado pelos seus problemas técnicos.
    Para cada emissora transmitindo em canal analógico o governo concedeu outro canal digital. Quando a emissora estivesse pronta para transmitir digitalmente toda sua programação deveria devolver o canal analógico, sendo fixado o prazo máximo de 2006 para que isto acontecesse. Mas são tantas as dúvidas e a transição parece tão complexa que poucos acreditam no cumprimento deste prazo.
    Um dos grandes problemas é a existência de uma grande malha de TV a cabo. Os canais a cabo são obrigados a retransmitir a programação local da TV aberta analógica. Até o momento eles se recusam a retransmitir também os canais digitais, tornando-os pouco atrativos publicitariamente.
    O governo americano se recusa a regulamentar o setor, na crença que o "mercado" é o melhor analista e ditará as melhores soluções. Mas o único resultado prático é que uma desconfiança generalizada instalou-se entre emissoras, consumidores e fabricantes de chips.
    Os antigos canais analógicos serão leiloados para serviços de telefonia móvel, operação estimada em centenas de bilhões de dólares. As emissoras acusam o governo de estar mais preocupado com essas centenas de bilhões de dólares do que com telecomunicações (e enquanto isso a telefonia móvel dos EUA começa a apresentar um atraso considerável em relação a europeus e asiáticos).

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  *ANATEL abre consulta pública de TV digital

    A ANATEL abriu consulta pública sobre DTV- TV digital, a partir de 17 de abril. A consulta prepara o terreno para definir o padrão de DTV a ser adotado no Brasil e outras estratégias para implantação do sistema.
     A consulta encontra-se no site www.anatel.gov.br . Qualquer cidadão ou instituição pode participar, registrando sugestões ou análises. No dia 18 de junho esta fase será encerrada e dez dias após todas as contribuições estarão disponíveis para réplica até o dia 23 de julho.
    Como subsídio à consulta são oferecidos três relatórios. O primeiro é o Relatório Técnico, contendo análise dos resultados obtidos nos testes de campo e laboratório realizados pela SET/ABERT sob supervisão do CPqD. O segundo relatório contém os dados brutos dos testes. O terceiro, Relatório Integrador, elaborado pelo CPqD, é uma visão geral de tecnologias e cenários disponíveis para DTV.
    Nos teste realizados pela SET/ABERT houve uma clara preferência pelo sistema japonês ISDB-T, embora o DVD-T europeu também tenha tido um desempenho satisfatório. O sistema ATSC norte americano foi explicitamente desqualificado, considerado insuficiente e sem robustez suficiente para as condições brasileiras.

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