edição-redação: Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS 
                       
    novembro/dezembro 2002
                     Eletronicaria - Notícias
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        Áudio e Vídeo

*Hollywood versus indústria eletrônica
*TV Digital avança

*DVD regravável e interativo
*Chegou a hora do Rádio Digital

        

        

  *Hollywood versus indústria eletrônica

     Está se aguçando a queda de braço entre estúdios de Hollywood e gravadoras fonográficas contra a indústria eletrônica. Motivo: Direitos Autorais, com pirataria facilitada pelas novas tecnologias digitais.
     No Congresso dos EUA estão sendo votadas emendas ao DMCA- "Digital Millennium Copyright Act", lei que recentemente regulou Direitos Autorais de mídia digital, concedendo largos privilégios aos estúdios e  fonográficas, em detrimento da indústria eletrônica e consumidores. As principais emendas restituem direitos de cópia pessoal, sem intenções comerciais, e são criticadas por Hollywood, representada pelo MPAA- "Motion Picture Association of America".
     A DTV- Televisão Digital, em fase de implantação, também já está na mira de Hollywood. O Comitê de Comércio do Congresso apresentou projeto obrigando às emissoras de DTV incluírem na transmissão um sinal identificador de programa protegido por Direitos Autorais; receptores e gravadores de DTV captariam este sinal e automaticamente recusariam copiar o programa. A medida entraria em vigor em 2006, data do término da implantação da DTV e encerramento das transmissões analógicas atuais. Organizações de consumidores de produtos eletrônicos protestaram fortemente.
     Em Amsterdam reuniu-se o DVD CCA- "DVD Copy Control  Association", associação de indústria eletrônica, estúdios e fonográficas, que tenta implantar um padrão de proteção de Direitos Autorais na área de DVD. O DVD CCA tinha estipulado o prazo de 1º de Agosto para chegar a uma conclusão final. Isto não ocorreu, com discordância generalizada e absoluta falta de perspectivas para uma solução. O principal ponto de discórdia seria a adoção de uma identificação no programa ("watermark"), que bloquearia a cópia em receptores e gravadores. A indústria de consumo de Eletrônica e os fabricantes de computadores não acreditam num sistema identificador e bloqueador seguro e viável economicamente, sem prejuízo para o consumidor.
     E para complicar mais ainda o MPAA está forçando a adoção das mesmas medidas de proteção para material analógico - filmes,  programas de TV, fitas de vídeo e áudio cassete. Segundo eles, a atual tecnologia digital permite captar programas analógicos, digitalizá-los e reproduzi-los digitalmente com perfeição. A recomendação do MPAA é a adoção obrigatória nos programas de identificador de proteção de Direitos Autorais. Outra sugestão, obrigar que todos circuitos conversores A/D e D/A sejam capazes de detectar a identificação de Direitos Autorais, está sendo repelida com veemência pela indústria de componentes eletrônicos, alegando que encareceria demais estes dispositivos.

sobe

  *TV Digital avança

     Com a data de encerramento das transmissões analógicas de TV se aproximando (final de 2005), a implantação gradual da DTV- TV Digital vai conquistando trunfos importantes. Os avanços maiores são vistos na Europa, com a consolidação de padrões oficiais e lançamentos de aparelhos. O caso mais problemático parece ser nos EUA, onde a grave crise econômica e multibilionários interesses da mídia, estúdios de Holywood e gravadoras fonográficas retardam a evolução. 
     Na França a DICOM está lançando receptores portáteis DTV, visando principalmente automóveis e lap-tops. O aparelho é baseado no CI DIB3000, demodulador COFDM, com duas entradas RF. A recepção RF dupla permite maior estabilidade da imagem, mesmo em alta velocidade. Com lap-tops a interface será USB, nos automóveis será aproveitada a tensão 12V da bateria. 
     O MHP, plataforma de multimídia para DTV proposta pela Comunidade Européia, finalmente começa a funcionar com o início de serviços MHP de satélite. Fora da Comunidade Européia outros países já aderiram ao MHP: China, Austrália, Coréia, Singapura e Taiwan. Até as operadoras de cabo dos EUA adotaram a estrutura geral do MHP, através do "OpenCable Application Platform". A PHILIPS apresentou um série de soluções para set-top-boxes MHP e pretende integrá-las nos modelos avançados de receptores. Um dos modelos de set-top-box proposto pela empresa é dedicado a TV Digital interativa, através de comunicação de telefonia celular GPRS, com interface infra-vermelho, Bluetooth ou porta serial.
     Nos EUA o ATSC, comitê que controla o padrão de DTV ATSC adotado naquele país, aprovou o padrão Dase ("DTV Application Software Environment") para TV Digital interativa. O Dase inclui JavaTV 1.0, o Home Audio-Video Interoperability 1.1 User Interface API e o World Wide Web Consortium Document Object Model API. Como se vê, Internet e computação chegando na Eletrônica de receptores de TV.
     O FCC (ANATEL norte-americana) alertou às emissoras de TV que os planos de implantação da DTV continuam vigentes, apesar da crise econômica. O prazo de encerramento das transmissões analógicas nos EUA será realmente janeiro de 2006, tornando absoletos e sem utilidades todos os receptores analógicos de TV. O FCC também confirmou que está obrigando a implementação de sintonizadores DTV em todos receptores de TV fabricados a partir de 2003.

sobe

  *DVD regravável e interativo 

     Até o momento não se chegou a acordo sobre o padrões de evolução do DVD. Entre as tendências encontra-se o DVD regravável, gravando e regravando como uma fita cassete, e o DVD interativo, que reproduz um filme (ou jogo) ao mesmo tempo que acessa a Internet e aceita comandos alterando a programação.
     O DVD regravável tem três padrões competindo: o DVD-RAM proposto pela PANASONIC, o DVD-RW da PIONEER e o DVD+RW da PHILIPS. DVD+R é outro padrão para players que gravam uma só vez, sem regravação do disco. Na Europa cerca de 90% do mercado é dominado pelo DVD+RW, com previsão de vender 25 milhões de unidades em 2006.
     A PHILIPS está jogando todas suas cartas no DVD+R/DVD+RW (junta as especificações do DVD+R com as do DVD+RW). Para terceiros, fabricantes OEM, oferece um design referência com a placa digital contendo o pnx7100 MPEG-2, codec áudio/vídeo e gráficos e o VAE8020, mecanismo de gravação ótica, além da placa analógica com fonte, sintonizador e outras funções; acompanha também um software compatível com o DVD+RW. A empresa espera que este pacote possibilitará a fabricação de players DVD+RW abaixo dos US$ 500, competindo com videocassetes.
     O DVD interativo é tecnologia desenvolvida pela INTERACTUAL, com o apoio dos estúdios de Hollywood, levando o nome de EDVD- "enhanced DVD". Mas o Forum DVD não aceitou totalmente o padrão da INTERACTUAL, e está em fase final de projeto do IDVD- "interactive DVD". Mas acordos entre o Forum e a INTERACTUAL devem aproximar os dois padrões (que já são bem parecidos). Os fabricantes terão que alterar seus atuais projetos de DVD, para adequá-los à exigência de interatividade adotadas pelo Forum. 

sobe

  *Chegou a hora do Rádio Digital

     A maré digital chegou agora num dos mais antigos e tradicionais setores da Eletrônica: o Rádio. Aí se incluem tanto transmissões terrestres (DTR- "digital terrestrial radio") quanto satélites transmitindo digitalmente (SDR "satellite digital radio").
     Como toda inovação tecnológica moderna, surgiu logo o problema do padrão a ser adotado. A Europa se decidiu pelo padrão Eureka 147, que já está operando naquele continente. O FCC norte-americano permitiu às estações de Rádio converterem suas transmissões analógicas AM/FM para o formato digital iBOC ("in band on channel", também está sendo chamado HD Radio), mas ainda não decidiu se ele será o padrão oficial.
     Com o Rádio Digital, uma estação pode manter simultaneamente várias transmissões no mesmo canal (antigo AM ou FM). Além disso, a tecnologia digital permite interatividade, abrindo as portas para vários serviços via Rádio (por exemplo, o ouvinte pode solicitar a qualquer momento a previsão do tempo, saldo de sua conta bancária, emitir ordem de compra). Sem contar que o Rádio Digital tem qualidade CD, eliminando vários problemas de recepção móvel.
     Alguns problemas técnicos e comerciais ainda estão para serem resolvidos. Há possibilidade de interferências entre o canal digital e o canal adjacente. Esquemas comerciais de Rádio por assinatura não foram bem aceitos. E a indústria espera uma melhor definição de padrões, para produção em larga escala de receptores digitais de Rádio.

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