edição-redação: Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS 
                       
         março/abril 2003
                    Eletronicaria - Notícias
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        Áudio e Vídeo

*SHARP antecipa LCD-TV
*INTEL desenvolve padrão de áudio

*DVD, galinha dos ovos de ouro
*Direitos do consumidor e direitos autorais

        

        

  *SHARP antecipa LCD-TV

     As expectativas para televisores com display de cristal líquido -  LCD-TV - são bastante otimistas. Prevê-se que chegará a 7,5 milhões o número de LCD-TV vendidas em 2004.
     Baseada nestas previsões, a SHARP está antecipando a entrada em operação de sua nova fábrica de displays LCD, em Kameyama- Japão. A empresa espera que já no início de 2004 a nova unidade estará funcionanado a todo vapor.
     Atualmente a SHARP é líder no mercado de LCD-TV, com cerca de 50% do mercado. Mas não tem participação significativa no setor de LCD-TV de telas grandes, restringindo-se a receptores com no máximo 37 polegadas. Com a fábrica de Kameyama a SHARP competirá com telas de até 60 polegadas.
     A maioria dos atuais LCD-TV pertecem à 5ª geração, caracterizada pelo substrato de 1.000x1.250 mm. A unidade de Kameyama terá produtos de 6ª geração, com 1.500x1.800 mm. SAMSUNG, LG PHILIPS, e AU OPTORONICS já têm projetos para a 7ª geração LCD-TV, de 1.800x2.100 mm, que chegarão ao mercado em 2005.

sobe

  *INTEL desenvolve padrão de áudio

     Está em fase final de desenvolvimento pela INTEL um novo padrão de áudio, tanto para PC quanto para eletrodomésticos. Trata-se do Azalia, que deverá chegar ao mercado em 2004.
     A intenção da INTEL é substituir os atuais padrões AC97 (usado em PC desktop) e I2S (DVD). O Azalia será implementado nos chips sets da INTEL, começando com o south bridge ICH-6 do Pentium Tejas, a ser lançado em 2004. A MICROSOFT dará suporte ao Azalia no seu novo Windows Longhorn.
     O Azalia trabalha com até 15 fluxos diferentes de áudio, cada um deles com seu próprio DMA, taxa de transferência e formato. A barra do sistema suporta entradas de até 24 Mbits/seg, mais um esquema especial de dupla entrada com 48 Mbits/seg. A capacidade de áudio em tempo real, com latência de 500 microsegundos, permitirá tocar instrumentos digitais virtuais. Está prevista também a adoção de proteção de cópia, possivelmente 4C e CPPM. A padronização do codec de áudio facilitará os projetos de PC, melhorando o som dos micros.
     Vários analistas consideram como certo o sucesso do Azalia no microcomputadores PC. Mas acreditam que sua adoção em aparelhos de Eletrônica de consumo será mais complicada, devido a problemas de custo.

sobe

  *DVD, galinha dos ovos de ouro 

     A essas alturas, ninguém mais duvida que o DVD é o carro chefe da Eletrônica de consumo. De uma só tacada ele deve substituir CD, videocassete, memória de massa de microcomputadores, enciclopédias, games, e sabe-se lá mais o quê!
     É por este motivo que as empresas gigantes da Eletrônica disputam ferozmente os direitos de patentes e padrões. Principalmente na nova geração de DVD, caracterizada pela tecnologia de regravação e maior capacidade de armazenamento na mídia (indispensável para alta resolução de vídeo - HD - que deve se popularizar). 
    Entre os principais contendores estão o FORUM DVD (que reúne os detentores da atual tecnologia de DVD, baseado no laser vermelho), o Blu-Ray (consórcio de grandes empresas que desenvolveu uma nova tecnologia de DVD baseada em laser azul), e chineses (com um projeto EDVD alternativo). Alguns membros do FORUM DVD também participam do Blu-Ray.
     O consórcio Blu-Ray está começando a licenciar interessados em utilizar seu padrão. A licença é feita para 4 categorias: player/gravador, mídia, componentes, equipamentos/processos de fabricação. O licenciado deve assinar um contrato de 10 anos com MATSUSHITA, PHILIPS e SONY, pagando US$30 mil por uma categoria; uma 2ª categoria sai por US$20 mil, e 3 categorias por US$60 mil.
    Na fabricação do laser para o Blu-Ray a SANYO está se preparando para comercializar seu laser azul-violeta de 35mW. Ele é fabricado em GaN, 405nm, e emprega uma camada de implantação iônica, com eletrodos nas bordas superior e inferior, corrente limiar de 40mA e corrente operacional de 75mA. A NICHIA, uma das líderes em laser, se associou à SONY num projeto de laser azul, 100mW, baseado em substrato de safira, e estão vias de começar a produção industrial. A SHARP também está na parada, e seu laser azul-violeta estará no mercado ainda este ano. Outra competidora, a ROHM está desenvolvendo um laser de silício-carbono para Blu-Ray.
     No FORUM DVD deve ser decidido, ainda neste semestre, o padrão de codec HD (alta resolução). Alguns membros acreditam que a atual tecnologia de laser vermelho não é suficiente para vídeo de alta resolução, e preferiam que este padrão fosse atribuído para a nova geração de DVD. No entanto é mais provável que o FORUM DVD se defina por uma das alternativas de codec HD já para a atual tecnologia de laser vermelho - H.264, MPEG-4 Advanced Simples Profile, MPEG-2 Enhancement Layer, ou Windows Media 9. Estes quatro codecs tiveram resultados satisfatórios, armazenando 9 GBytes de vídeo HD em DVD laser vermelho dupla camada, com taxas de codificação menores que 7 Mbits/seg. Por motivos políticos, sabe-se que o Windows Media 9 não será escolhido, e a preferência recai sobre o H.264. 

sobe

  *Direitos do consumidor e direitos autorais

     A maioria dos modernos aparelhos eletrônicos domésticos têm uma parafernália de circuitos e softwares impedindo a cópia da mídia sendo executada, para proteção de direitos autorais. Os lobbies dos poderosos estúdios cinematográficos de Hollywood e das gravadoras fonográficas multinacionais tem pressionado para aumentar esta proteção anti-pirataria.
     A chegada de transmissões e gravações digitais -  especialmente TV Digital DTV, Internet e DVD - está levando Hollywood à beira da histeria. Afinal, com estas novas tecnologias digitais as cópias piratas são perfeitas e facilmente repassadas entre usuários. A MPAA ("Motion Picture Association of America"), representante dos estúdios de Hollywood, tem proposto e incentivado um arsenal de leis anti-cópia. 
     A indústria Eletrônica têm se oposto aos excessos das leis anti-cópia, acreditando que elas desestimulam o uso e consumo de aparelhos eletrônicos, inclusive computadores. Assim ela lançou no começo deste ano a Alliance for Digital Progress, associação que pretende incentivar o livre uso, para fins legais, dos recursos eletrônicos. De fato, uma barreira contra as pesadas imposições de proteção de cópia da MPAA.
     Desde já a Alliance for Digital Progress é apoiada - e apoia - a Home Recording Rights Coalition, grupo de advocacia de usuários, defendendo o direito de cópia doméstica livre, para fins não comerciais.
     Se ADP e HRRC conseguirem se impor sobre os interesses da MPAA, vários circuitos e softwares de proteção de cópia implementados nos atuais aparelhos eletrônicos serão simplesmente esquecidos - e para muitos aficcionados dos recursos digitais não deixarão saudades.

sobe