edição-redação: Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS 
                       
         julho/agosto 2003
                   Eletronicaria - Notícias
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        Negócios

*Cai déficit no comércio exterior de Eletrônica
*
EUA é deficitário em alta tecnologia
*Empresas sem fábrica já não atraem
*Seria um negócio da China

        
 

  *Cai déficit no comércio exterior de Eletrônica

     A alta do dólar, valorizando exportações e inibindo importações, favoreceu a melhoria do comércio exterior na área de eletro-eletrônicos nos primeiros 5 meses deste ano. As exportações somaram US$ 1,78 (aumento de 7,9% em relação ao mesmo período do ano anterior) e as importações US$ 3,92 (queda de 0,7%), portanto um déficit de US$ 2,14 (redução de 6,9%).
     Além do dólar, as exportações foram incrementadas pela retomada dos negócios com a Argentina, e a abertura ou ampliação de mercados na América Latina. Telefone celular é o artigo mais exportado, atingindo US$ 401 nestes 5 meses. 

sobe

  *EUA é deficitário em alta tecnologia

     A AeA (antiga American Electronics Association) divulgou relatório constatando que os EUA são deficitários em comércio exterior de alta tecnologia. As exportações hi-tech norte-americanas estão caindo, enquanto crescem as importações.
     Em 2002 as exportações norte-americanas de produtos e serviços de alta tecnologia caíram para US$ 166 bilhões. Enquanto isto as importações subiram para US$ 220 bilhões, totalizando um déficit de US$ 54 bilhões.
     Atualmente a China é o maior exportador hi-tech para os EUA, passando o Japão e o México.

sobe 

  *Empresas sem fábrica já não atraem

     Até três ou quatro anos atrás as empresas entrando no mercado ("startup") não precisavam se preocupar em construir fábricas para produzir chips. Bastava desenvolver o projeto, fazer parceria com uma empresa de capital de risco ("venture capital") e contratar a produção com uma usinagem de semicondutores.
     O crescimento da TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Co) teve um papel importante neste esquema. A TSMC é uma usinagem de porte internacional, faturando bilhões de dólares e com tecnologia de ponta. Após desenvolver seu projeto a startup contratava os serviços da TSMC para fabricar os chips, sem se preocupar com gastos na construção de uma fábrica. 
     Empresas hoje importantes na área Eletrônica foram fundadas assim: Altera, Broadcom, Nvidia, Xilinx, entre outras. Mas este tipo de iniciativa vem caindo gradativamente - segundo a Fabless Semiconductor Association (Associação de Semicondutor sem Fábrica), nos EUA foram fundadas 92 no ano 2000, 53 em 2001, e apenas 5 em 2002.
     O problema maior parece ser o aumento dos custos de projeto. Somente para adquirir ferramentas de design (soft e hardware) são necessários cerca de US$ 3 milhões. Capital de risco para bancar a empresa durante sua maturação também está cada vez mais raro e exigente, devido à crise econômica e incertezas sobre o futuro.

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  *Seria um negócio da China

     No seu 7º encontro anual o WSC- World Semiconductor Council (Conselho mundial de semicondutor) fez severas críticas ao protecionismo chinês na área de semicondutores. O WSC é formado por 5 associações nacionais: European Semiconductor Industry Association, Japan Electronics  and Information Technology Industries Association, Korea Semiconductor Industry Association, Taiwan Semiconductor Industry Association (TSIA) e a norte-americana SIA- Semiconductor Industry Association.
     A China tornou-se o maior fabricante de semicondutores do mundo, além de ser também o maior mercado emergente. Os chineses aplicam uma taxa de 17% sobre todos os semicondutores. Os chips importados pagam este imposto, mas descontos concedidos aos fabricados localmente resulta em taxação de apenas 3% a 6%.
     O WSC quer que os chineses reduzam a taxação de 17% sobre chips importados ou elimine os benefícios fiscais para a produção local. Os chineses não participam do WSC, mas recentemente foram admitidos na Organização Mundial de Comércio, que faz as mesmas exigências. 
     Se a exigência do WSC fosse atendida (o que é pouco provável) seria um negócio da China para a indústria de semicondutores dos países avançados - e um negócio de americanos, para os chineses.

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