edição-redação:
Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS
julho/agosto
2003
Eletronicaria
- Notícias
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Tecnologia
*Erros
de soft condenam memória SRAM
*Guerra americana
no espaço
*Germânio
- o retorno
*Erros
de soft condenam memória SRAM
A fabricação de semicondutores está chegando na
tecnologia de 90 mícrons. Nesta dimensão pouca carga fica armazenada em memórias tipo SRAM (RAM estática), levando
a um alto índice de SER ("soft error rate", taxa de erro de software).
A SRAM é mais rápida e menos volumosa que outros tipos
de RAM. O SER da SRAM é provocado por partículas alfa de raios cósmicos. Outra fonte de SER é o bombardeio por
nêutrons da própria pastilha. Com pouca carga armazenada na célula SRAM os raios alfa e
nêutrons alteram facilmente seu estado bit0/bit1.
Vários fabricantes estão abandonando a SRAM e buscando
soluções alternativas. A SAMSUNG, que detém 25% do mercado mundial de SRAM, está recomendando a seus
clientes que a usem apenas em barras com mais de 72 bits e tomem cuidados especiais com o SER.
MICRON e INFINEON já encerraram a produção de SRAM, e a TOSHIBA manterá sua
linha somente até 2006.
A alternativa no momento é a DRAM (RAM dinâmica), mais
lenta e volumosa, e que exige circuito de refrescamento. Alguns fabricantes
desenvolveram a pseudo SRAM, uma DRAM com circuito lógico semelhante à SRAM. A TOSHIBA vem
pesquisando uma tecnologia DRAM que necessita refrescamento somente a cada 2 semanas (contra os atuais
60 milisegundos).
sobe
*Guerra
americana no espaço
A confessa intenção norte-americana de monopolizar e
transformar o espaço em peça da estratégia de guerra está causando protestos e indignação entre aliados. Os protestos
partem até mesmo de alguns civis e militares norte-americanos, inconformados com a orientação
do atual governo de direita militarista.
A agência espacial européia ESA reclama que os americanos
estão usando para proveito próprio recursos de espionagem de satélites da OTAN, ao mesmo tempo que
interferem no satélite europeu de navegação Galileo. Canadenses também reclamam de serem barrados no acesso
às informações do NORAD, programa espacial conjunto do Canadá com EUA.
O unilateralismo americano já estava registrado no relatório
"National Security Strategy of the United States" de setembro/2002. A Comissão Rumsfeld (Secretário de Defesa)
também apresentou em janeiro/2001 relatório pregando o monopólio de órbitas polares e
geosincrônicas, além de estações e instalações terrestres de lançamento (o Brasil
cedeu aos EUA a base espacial de Alcântara, no Maranhão, em condições no mínimo humilhantes).
Os satélites são usados para orientar bombardeios, espionar
inimigos (e "amigos"), e para comunicação das tropas nos campos de batalha. O sistema GPS, com 27
satélites em redor da Terra, faz parte deste esquema e teve larga participação dos bombardeios no
Iraque (e será atualizado agora com o GPS III).
A NRO (National Reconnaissance Office) é a mais importante
agência de informação americana, comandada por políticos militaristas, e coordena toda a estratégia espacial
americana. Ela prega abertamente a intervenção em sistemas de outros países que tentem
utilizar inteligência estratégica espacial.
Em setembro/2002 o governo americano criou o Transformational Communication Office, encarregado de
coordenar todos os interesses da rede de comunicações do Departamento de Defesa.
Num dos projetos deste novo órgão, NRO e NASA trabalharão em conjunto num programa de US$ 10
bilhões, para desenvolver uma rede tipo Internet de soldados em campo de batalha.
A partir de 2004 a NRO estará encarregada do programa Ofensiva Contra Espacial, que se divide em dois componentes:
o Sistema Contra Comunicações, para interromper comunicações de redes espaciais
de outros países, e o Sistema Contra Reconhecimento de Vigilância, para evitar que
outros países usem tecnologia avançada de inteligência do espaço.
O diretor do NRO avisa em alto e bom som: o programa Ofensiva
Contra Espacial é contra inimigos e amigos, mesmo os mais tradicionais aliados, como Europa e Canadá. E, como
disse o Secretário da Força Aérea, se os aliados não gostarem do modelo de dominação espacial, precisam
aprendê-lo e aceitá-lo.
sobe
*Germânio
- o retorno
A era dos semicondutores começou com transistores
bipolares
feitos de wafer de Ge- Germânio. Com o decorrer do tempo o Germânio
deu lugar ao Si- Silício, que hoje domina completamente na fabricação
de semicondutores, agora na forma de circuitos integrados em CMOS.
Mas a tecnologia do Silício começa a mostrar exaustão, e
constata-se que são necessárias novas alternativas. Entre os principais
problemas do Silício temos a excessiva (para os padrões atuais) corrente de fuga, e a previsão de limites para
dimensões ainda menores.
O Germânio está sendo considerado uma solução para vários
dos problemas do Silício. A junção do Germânio tem uma barreira de
0,66 eletronVolt, contra 1,1 eletronVolt do Silício. Com isto a mobilidade
de elétrons e lacunas no Germânio é 3 vezes maior que no Silício. Mas disto resulta que
a corrente de fuga no Germânio é mais alta que no Silício.
A indústria já vinha pesquisando materiais de alto K para
resolver
problemas da corrente de fuga do Silício. Mas se esta solução é possível,
porque não aplicá-la ao Germânio, e aproveitar sua mobilidade ? Os
pesquisadores acreditam que a melhor solução será intermediária entre
os dois elementos, possivelmente do tipo Ge-on-SOI (Germânio em Silício
em Isolante).
A pesquisa tem interessados (e fundos financeiros) de peso
-
entre eles o DARPA, programa de pesquisa da Defesa dos EUA. A
Universidade de Stanford é o centro dos trabalhos nos EUA, além do
MIT. Na Europa o mais destacado é IMEC (Interuniversity MicroElectronics Center), na Bélgica.
sobe
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