edição-redação: Maurício Caruzo Reis- LETRON LIVROS 
                       
     novembro/dezembro 2003
                   Eletronicaria - Notícias
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        Automação

*Robô: a nova onda de consumo
*Automóveis, elétron, programas e problemas
*Novas tecnologias reforçam RFID
        
        
  *Robô: a nova onda de consumo

     Na Custom Integrated Circuits Conference, em San Jose, California, o brilho da festa ficou com Makimoto, cientista cérebro da SONY para Robótica. Segundo ele - e vários outros analistas - os robôs pessoais devem se tornar a próxima onda de consumo, na sequência de eletro- domésticos, PCs e celulares.
     Makimoto apresentou maiores detalhes técnicos sobre os robôs pessoais Aibo e SDR, ambos da SONY. A intensa utilização de processadores, memórias e DSPs indicam que este é um campo fértil para a indústria Eletrônica. A previsão é que Eletrônica para robôs pessoais vai gerar negócios de US$20 bilhões em 2010.
     O Aibo, na forma de cachorro, é baseado numa CPU RISC de 64 bits, com 32 MBytes de memória. Chips dedicados servem de interface para um conjunto de sensores, motores e atuadores, capacitando-o para visão e voz.
     O SDR ("Sony Dream Robot") é do tipo humanóide, baseado em cluster de três processadores RISC de 64 bits, com 192 MBytes de memória DRAM. Os trabalhos computacionais são suportados por 29 microcontroladores de 16 bits, 23 chips DSP, 4 ASICs, 3 FPGAs e 16 MBytes de memória flash. Ele tem habilidades de reconhecimento de imagens, movimento bípede e movimento labial. A versão mais recente do do SDR tem 38 juntas e 67 sensores, inclusive sensores térmicos; a visão é originada em 2 câmeras CCD a cores e a audição, com reconhecimento de voz, de 6 microfones.
     Segundo Makimoto, a meta é atingir a potência de computação de 108 Mips, o equivalente à inteligência humana. Com este poder, em 2050 será possível formar uma seleção de futebol de robôs em condições de ganhar a copa do mundo da FIFA.

sobe

  *Automóveis, elétrons, programas e problemas

     A quantidade de Eletrônica embarcada nos automóveis aumenta exponencialmente. Mas problemas de fiação, consumo de eletricidade e espaço começam a pesar na balança. As soluções devem passar pela adoção de padrões - estopim para início de guerras comerciais. 
     Engenheiros reunidos no congresso Motor Vehicle Electronics, na Alemanha, observam que os problemas atingem tanto o hardware quanto o software. Excesso de controladores sugere tratar algumas funções como software. Mas software embutido e falta de padrões tornam os sistemas operacionais incompatíveis.
     Montadoras alemãs e fabricantes de Eletrônica embarcada formaram mais uma associação, tentando chegar a um padrão. A associação foi denominada AUTOSAR ("(Automotive Open Systems Architecture") e tem como núcleo de associados BMW, DaimlerChrysler, Volkswagen, Bosch, Continental e Siemens VDO.
     A principal tarefa da AUTOSAR será a criação de interfaces abertas, fugindo dos royalties e problemas jurídicos das interfaces proprietárias, geralmente norte-americanas.

sobe

  *Novas tecnologias e adesões reforçam RFID

    A identificação por radiofrequência - RFID - está chegando na reta final de adoção em larga escala. A rede WALL MART deu o prazo até 1º janeiro 2005 para seus principais fornecedores adotarem o RFID; os demais terão até 1º janeiro 2006. As Forças Armadas dos EUA também aderiram, e todos seus fornecedores estão obrigados a incluir etiquetas RFID nos suprimentos para os militares. Outras adesões de peso continuam a acontecer.
     O RFID deverá conviver com seu concorrente Código de Barras nos próximos anos, mas provavelmente será o identificador único e universal dentro de 5 a 10 anos. As vantagens são grandes: não exige contacto próximo, a leitura do produto podendo ser feita a distância; a velocidade de leitura chega a mais de 300 produtos por segundo; a quantidade de bits de identificação permite registrar cada peça individualmente - na verdade há bits suficientes para identificação de cada molécula do nosso planeta.
     A etiqueta RFID é minúscula, inferior a 1 mm quadrado, podendo ser impressa em embalagens de papel, tecidos, e praticamente qualquer outro material. A tensão de alimentação de seus circuitos, microVolts, é fornecida pelo próprio sinal do leitor. Uma memória de alguns KBytes permite o registro do produto, além de informações de  logística. Os chips RFID até agora desenvolvidos têm preços em torno de US$0,20, mas espera-se que sejam reduzidos a US$0,05 rapidamente.
     A interface do RFID EPC tem opção de bandas UHF de operação: 902-928 MHz (para os EUA), 868-870 MHz (Europa), 950-956MHz (Japão), 13,56MHz e 2,45GHz. O usuário tem à sua disposição 96 bits para registro do seu produto.
     Recentemente a HITACHI anunciou seu chip mu-RFID. Ele tem 0,4mm x 0,4mm, alcance RF de 25 cm, operando na banda de 2,45GHz. Uma memória ROM permite o registro de até 128 bits.
     A FUJITSU implementou a nova tecnologia de RAM ferromagnética em chips RFID. Está lançando dois tipos de  FRAM para RFID - MB89R116 e MB89R111. Elas têm um período de retenção de 10 anos, com capacidade de 2KBytes em blocos de 8 bytes, acesso de 75 ms e taxa de transferência 26,46Kb/s. A frequência de operação é 13,5MHz, com corrente de entrada 20mA. 
     O MIT dos EUA está participando ativamente do desenvolvimento do RFID. Liderou a criação do padrão RFID EPC ("Electronic Product Code"), e está propondo uma "Internet" de produtos. Os objetos seriam  cadastrados em servers desta "Internet", e informações sobre ele poderiam ser acessadas de qualquer lugar do mundo. Isto aumentaria a eficiência da cadeia de suprimentos e reduziria os requisitos do leitor RFID.

sobe