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O radar é o pai da antena parabólica. Aperfeiçoado no esforço de guerra a partir da década de 1930, deixou para ela uma sofisticada herança de "know how", tanto para emissão quanto recepção de sinais. Ainda hoje estes dois equipamentos compartilham várias características: operação na mesma faixa de microondas, utilização de pratos parabólicos, saída do sinal captado para cinescópio.

A outra origem da antena parabólica foi a corrida espacial. Os soviéticos saem na frente em 1957, lançando o Sputinik - pequena esfera de aço que emitia para a Terra um bip-bip. Os mocinhos americanos, na sua implacável luta contra o Império do Mal, ajuntam seus gigantescos recursos e já em 1961 lançam o satélite Telstar 1, da empresa ATT, que inicia as transmissões de TV por satélite.

Para os aficionados por suspense, americanos, espionagem e assemelhados pode-se acrescentar a legendária figura do escritor de ficção cientifica norte-americano Arthur Clarke. Segundo seus orgulhosos compatriotas ele teria proposto, em artigo para a revista WIRELESS WORLD, em 1945, o sistema de telecomunicações usando satélites na órbita geo-sincrônica, sistema este que é usado na atualidade.

Mas, saindo da área de ficção e aficionados, os cálculos de órbita geo-sincrônica já estão disponíveis nos livros de Física desde o século passado.

Inicialmente, a TV por satélite foi concebida como assunto "interno" das emissoras. A emissora transmitia vídeo/ áudio para um satélite e este retransmitia para a mesma emissora num ponto mais distante, de onde então o sinal era distribuído (por meios convencionais) para os telespectadores. Por exemplo, a TV NBC cobria um jogo de basquete em Los Angeles, transmitindo-o para um satélite que o retransmitia para as instalações da NBC em New York, de onde o jogo era distribuído para os telespectadores daquela cidade. Estas transmissões eram feitas na banda C, microondas de 3,7 GHz a 6,2 GHz.

Logo os bisbilhoteiros (principalmente radioamadores, com boa experiência de antenas e transmissões) começaram a inventar antenas e equipamentos que captavam as transmissões via satélite das emissoras. De inicio precárias e instáveis, rapidamente atingiram ótimos padrões de qualidade. Por serem dedicadas somente à recepção (e não transmissão) foram denominadas TVRO ("TV receive only", TV apenas para recepção), nome que permanece corrente para as antenas parabólicas domésticas.

As emissoras de TV satélite não gostaram da pirataria, porque perdiam a renda da distribuição do sinal, e tomaram várias atitudes para brecar o uso doméstico de suas transmissões. Mas como a lei americana permitia a industrialização e comercialização dos equipamentos - embora proibisse seu uso - as antenas parabólicas floresceram como verdadeiras florestas nos EUA.

Considerando que não conseguiria proibir as parabólicas o governo norte-americano em 1984 legalizou e regulamentou o uso doméstico da Banda C. Ao mesmo tempo - e para incentivar o público em geral a sair da Banda C, deixando-a para as emissoras de TV - criou o DBS- direct broadcasting system (sistema de transmissão direta). Este sistema opera na Banda Ku, de 10,9 GHz a 36 GHz, e oferece várias vantagens para os usuários tipo residência, como antenas menores e maior nùmero de canais. Um aperfeiçoamento recente (1995) deste sistema é o emprego de sinais digitais na comunicação, possibilitando o aumento do número de canais, melhor qualidade de imagem/som e instalação simplificada da antena parabólica.

Na Europa e Japão, onde não houve (ou foi menor) o problema legal com as emissoras, a Banda Ku foi usada mais cedo, desde meados da década de 1980, e quase não se encontra parabólica da Banda C. Enquanto nos EUA temos vários satélites competindo pela audiência, o que obriga (ou recomenda) o uso de antena parabólica dirigível, capaz de rastrear todos os satélites, na Europa encontramos apenas o Astra, na Banda Ku, permitindo a utilização de antena parabólica fixa e pequena.

O Brasil legalizou o uso de antenas parabólicas desde 1984. No ano seguinte foi lançado o Brasilsat I e em 1986 o Brasilsat 2, ambos operando na Banda C, que cobriam todas as transmissões de TV satélite para nosso pais, incluindo canais com as redes convencionais (GLOBO, BANDEIRANTES, RECORD, MANCHETE, BRASIL, SBT) e canais por assinatura (TVA, NET).

A EMBRATEL, privatizada em 1998 (a favor, literalmente, do grupo norte-americano MCI), controla o sistema de satélites de telecomunicações brasileiros. A TVA (grupo ABRIL) e a NET (grupo GLOBO) têm projetos próprios, em associação com grupos estrangeiros, para operar o sistema DBS no Brasil.

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