|
Quando a televisão a cores foi lançada já existiam milhões de receptores monocromáticos, que até hoje ainda funcionam e são fabricados. Surgiu assim o problema da compatibilidade: o sinal transmitido pela estação deve satisfazer ao mesmo tempo tanto os receptores a cores quanto aqueles em preto e branco. O sinal transmitido contém a crominância C - com informações sobre a cor da cena - e a luminância Y - com informações sobre o brilho dos detalhes da cena. O receptor a cores aproveita ambas, reproduzindo uma imagem colorida. O aparelho preto e branco não consegue processar a crominância e reproduz somente a imagem preto e branco contida na luminância. Na transmissão a cores os sincronismos de deflexão têm frequências ligeiramente diferentes da transmissão preto e branco. Os receptores a cores já são projetados para esses valores. Quanto aos receptores monocromáticos a diferença é muito pequena e os dois sinc (H e V) conseguem sincronizá-los. Vimos que na transmissão preto e branco o sinal de vídeo pode chegar a pouco mais de 4 MHz (correspondendo ao menor detalhe da imagem), reservando-se espaço no canal de 6 MHz para o som FM em torno de 4,5 MHz. Na transmissão a cores é preciso reservar uma faixa do canal entre 3,1 MHz e 4,1 MHz para a informação de cor, restringindo o sinal de vídeo a cerca de 3 MHz (portanto a televisão a cores tem menor resolução que a preto e branco). A palavra cor inclui uma composição de conceitos que o especialista em TV deve saber decompor para fins práticos e o teóricos. Matiz é o substrato da cor (e que o leigo confunde com o próprio conceito "cor"). No espectro temos todos os matizes - vermelho, laranja, verde, azul, violeta, etc. Qualquer matiz pode ser obtido pela adição de outros matizes. Em especial, podemos obter quase todos matizes pela combinação de vermelho (R, de "red"), verde (G, de "green") e azul (B, de "blue"). As cores provocam em nossos olhos sensação de Brilho com intensidades diferentes conforme o matiz. O mais brilhante é o verde; azul e violeta têm pouco brilho. É esta característica que permite transmitir uma cena colorida em preto e branco: uma pessoa de olhos azuis e cabelos louros será percebida na tela monocromática como olhos escuros (azul tem pouco brilho) e cabelos claros (amarelo tem muito brilho). O branco não é matiz (nem cor), mas a sensação de brilho obtida quando se misturam todos os matizes. Preto também não é matiz (nem cor), mas a sensação de brilho quando não há matiz algum. Saturação refere-se à quantidade de branco existente em uma cor. Vermelho com muita saturação e vívido, forte; vermelho com pouca saturação é pálido, fraco. Como exemplo coloque um suco de qualquer matiz em uma jarra; adicionando-se leite (branco) ele vai ficando menos saturado (mais pálido). Do brilho das cores se extrai a Luminância - Y, que servirá para a reprodução de imagens em preto e branco. Matiz mais saturação formam a Crominância - C, que trará informações sobre cor na cena. Y e C são transmitidas juntas e depois separadas nos circuitos do receptor a cores, sendo processadas em estágios diferentes. |
|