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O esquema do receptor a cores é apresentado na figura 13-1. Nota-se imediatamente uma grande semelhança com o receptor preto e branco, principalmente com o acompanhamento do sinal (sintonização, FI; em paralelo vídeo, som e deflexão). As diferenças são ponto de tomada do som, existência de uma linha de atraso no amplificador de vídeo, foco ajustável e circuitos de cor. O sintonizador seleciona por ressonância um canal, convertendo-o à frequência intermediária 41 MHz a 47 MHz. No estágio FI uma amostra da portadora de imagem é enviada ao A.F.T. ("automatic fine tuning"- sintonia fina automática); se P estiver com frequência errada o AFT envia uma tensão dc ao oscilador local, corrigindo-o para manter a portadora de imagem no valor correto. O detector de vídeo não pode ser aproveitado como conversor de som (batimento entre P e S resultando 4,5 MHz), pois a portadora de som bateria também com portadora de crominância (4,5 MHz com 3,58 MHz), resultando uma interferência de 920 KHz que seria processada como informação de vídeo. O som é retirado antes do detector de vídeo, ainda como FI (41,25 MHz), e através de conversor próprio convertido a 4,5 MHz. A partir daí é semelhante ao receptor monocromático e ao receptor de rádio FM. A portadora FI é eliminada no detector de vídeo, recuperando-se a informação de vídeo, que sofre uma primeira amplificação no pré-amplificador de vídeo. Este distribui uma amostra do sinal para vários estágios, que se encarregarão de separar a parte que lhes compete - luminância Y para o amplificador de luminância, burst e crominância C para os circuitos de cor, sinc H e sinc V para estágios de deflexão, nível do sinal de vídeo para o AGC. Os circuitos de cor têm muita reatância (capacitores e indutores), o que retarda o sinal de crominância C em relação à luminância Y. Para evitar que as duas cheguem em tempos diferentes no CRT, criando uma imagem preto e branco adiantada e outra colorida retardada, a luminância Y passa por uma linha de atraso que ajusta seu tempo ao da crominância C (esta linha de atraso Y não deve ser confundida com a linha de atraso PAL, que ainda veremos nos circuitos de cor). O amplificador de luminância amplifica Y e a injeta nos três catodos (R,G,B) do CRT. O potenciômetro de contraste é instalado neste estágio, controlando simultaneamente os três canhões R, G, B. No detector de vídeo ocorre o batimento entre portadora de imagem P e sinal de cor, resultando a crominância C em torno de 3,58 MHz. Os circuitos de cor filtram esta frequência, incluindo burst (+ e -) em 3,58 MHz, (R-Y) e (B-Y) em 3,58 MHz ± 0,5 MHz (ou seja, de 3,1 MHz a 4,1 MHz). Comparando as fases do burst com a crominância C separa-se (R-Y) e (B-Y), que estão em quadratura de fase (defasados 90º), que são combinados para se obter (G-Y). Os circuitos de cor cancelam a alternância +90º/-90º de (R-Y) e injetam os três sinais (R-Y), (B-Y), (G-Y) nas grades de controle. Com (R-Y), (G-Y), (B-Y) nas grades de controle e com Y nos catodos cada canhão será efetivamente controlado pelos sinais R, G, B, cancelando a luminância Y: (R-Y) + Y = R Entretanto, este cancelamento acontece somente para detalhes de imagem inferiores a 0,5 MHz. Acima desta frequência não há crominância, portanto não há nem (R-Y) nem (B-Y), e a informação de vídeo fica exclusivamente em preto e branco com a luminância Y. Os circuitos de deflexão são semelhantes aos de receptores monocromáticos, mas as deflexões vertical e horizontal assumem valores 59,94 Hz e 15.734 Hz, respectivamente. A M.A.T. é elevada para 25 KVolts e o foco para 5 KVolts, este último derivado do flyback e com potenciômetro de controle da sua tensão. Muitos trabalhos práticos exigem cortar a deflexão vertical, deixando só uma linha horizontal iluminada no meio da tela. Quando na posição SERVIÇO a chave de serviço faz isto e ao mesmo tempo diminui o brilho, evitando que toda a iluminação se concentre na única linha e marque a tela. Esta chave é acrescentada ao circuito do amplificador de luminância. O sintonizador e o FI são exatamente iguais ao visto para receptores preto e branco. Na conversão para FI o sinal de cor ficará em 42,17 MHz (figura 13-2), ocupando uma faixa de + 0,5 MHz. O
AFT é um discriminador (reveja mais sobre
discriminadores na demodulação de som FM) sintonizado em 45,75 MHz (figura 13-3a). Se a
portadora de imagem P no sinal recebido do FI estiver em 45,75 MHz os dois diodos
conduzirão com a mesma intensidade e não haverá tensão dc na saída. Mas se P estiver
fora de 45,75 MHz os diodos terão condução Se o detector de vídeo fosse usado como conversor de som, fazendo o batimento entre P e S que resulta no sinal FM 4,5 MHz, haveria também o batimento de S com a crominância C, gerando um sinal de 920 KHz. Este está na faixa de frequências de vídeo (de zero a 3 MHz), seria amplificado no amplificador de luminância e apareceria como linhas de interferência na tela. Acrescenta-se um conversor de som (figura 13-4) que faz o batimento entre P e S, gerando o sinal FM 4,5 MHz que é selecionado e amplificado na FI de som. A partir do detector de vídeo coloca-se trap de som que elimina suas frequências do amplificador de luminância. O amplificador de luminância do TVC corresponde ao amplificador de vídeo do TV-PB. Sua função é separar o sinal de luminância Y, amplificá-lo e injetá-lo nos catodos dos três canhões do CRT. Este estágio é composto de um pré-amplificador e um amplificador de potência (figura 13-5), sendo projetado para cortar sinais de frequência superiores a 3,1 MHz, de modo a não haver interferência da crominância (entre 3,1 MHz e 4,1 MHz). A linha de atraso de 1 microsegundo retarda o sinal de luminância Y, compensando sua maior velocidade em relação ao sinal de crominância e fazendo com que os dois sejam injetados ao mesmo tempo no CRT. O potenciômetro CONTRASTE ajusta a amplitude do sinal sendo amplificado e o potênciometro BRILHO o seu nível dc médio. O próprio nível de apagamento do sinal é suficiente para cortar os três feixes eletrônicos nos retraços horizontal e vertical. Mas por segurança sinais de apagamento horizontal derivado do flyback e de vertical do amplificador de saída vertical são acoplados aos transistores, levando-os ao corte nos retraços. A seção anterior tomamos como exemplo um receptor "R-Y/B-Y",
onde a luminância é aplicada nos catodos e os cir- (R-Y)-Y= R (G-Y)-Y= G (B-Y)-Y= B que cancela a luminância Y e deixa apenas os sinais R,G, B controlando os respectivos feixes eletrônicos (isto até 0,5 MHz; acima desta frequência não há sinais R,G,B e a luminância Y aplicada sozinha aos catodos, em intensidades iguais para os três, forma pequenos detalhes preto e branco na tela). Se R (vermelho) tiver +60 Volts e Y (luminância) for +50 Volts, no catodo R haverá -Y= -50 Volts e na grade (R-Y)= (+60-50)= +10 Volts; -50 Volts no catodo com +10 Volts na grade é a mesma polarização de -60 Volts sozinho na grade. A matrizagem da luminância Y com (R-Y), (G-Y) e (B-Y) também pode ser feita antes do CRT, acoplando esses sinais simultaneamente a amplificadores (figura 13-6 b). Tal como na matrizagem no CRT a luminância Y será cancelada (para sinais até 0,5 MHz), restando os sinais R,G,B para excitar os respectivos catodos, enquanto as grades de controle são mantidas a tensão fixa. Aparelhos que usam este tipo de matrizagem são chamados "receptores R, G,B". Os circuitos de deflexão são semelhantes aos de receptor monocromático, mas trabalhando com 59,94 MHz no ver- tical e 15.734 MHz no horizontal. A MAT é elevada para 25 KVolts. O foco também é maior, 5 KVolts, e pode ter um retificador próprio, alimentado pelo flyback, ou ser derivado de um divisor de tensão da MAT. Em ambos os casos há um potenciômetro para ajuste desta tensão. É de uso cada vez maior o triplicador (há também duplicador) que recebe cerca de 9 KVolts ac do flyback, triplica-o e retifica-o, fornecendo à M.A.T. 25 KVolts e numa derivação o foco de 5 KVolts, ambos já retificados e regulados (figura 13-7). Este dispositivo é um sistema de diodos e capacitores de alta potência, envolvidos num material isolante e anti-térmico. Para corrigir a distorção pincushion do raster (reveja figura 1-9) em cinescópio a cores não é possível usar pequenos magnetos, como no receptor monocromático, pois o campo magnético afetaria a pureza. Os dois sinais de deflexão - horizontal e vertical - são postos a interagir entre si, levando à correção da distorção. Uma amostra do sinal da saída vertical é acoplada no transformador de saída horizontal (figura 13-8a), fazendo o sinal de deflexão V modular o sinal de deflexão H. Este último fica com menor amplitude no topo e embaixo (figura 13-8b), com menor desvio do feixe nestas regiões, o que estica as laterais do raster no meio da tela. A correção pincushion vertical é semelhante à horizontal. Uma amostra da saída horizontal é acoplada à saída vertical, modulando-a para menor amplitude no início e no fim da varredura, provocando menor desvio nas laterais da tela, o que estica o topo e embaixo do raster no centro da tela. O campo magnético do nosso planeta pode desviar os feixes eletrônicos R, G, B no cinescópio a cores, causando problemas de pureza. Para evitar esta distorção o receptor é provido com o circuito da figura 13-9, conhecido por ADG ("automatic degaussing", desmagnetização automática). A bobina ADG é enrolada em volta do tubo de imagem e ligada em paralelo com a tensão dc 110/220 Vac da rede que alimenta o aparelho. Quando a chave liga o receptor o termistor (resistência variável com a temperatura) está frio e tem resistência máxima, desviando toda a corrente para a bobina ADG em série com o varistor (resistência variável com a voltagem), que não apresenta resistência neste momento. Conforme o termistor esquenta diminui sua resistência e cai a voltagem entre seus pólos, caindo também a voltagem no varistor e aumentando sua resistência, o que diminui a corrente na bobina ADG. O processo entre condução e corte da corrente na bobina ADG ocorre em um segundo. Esta queda é gradual e produz um campo eletromagnético que desmagnetiza o receptor. |
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