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  3-2 setores do receptor

O receptor pode ainda ser dividido em setores (figura 3-2). O setor de RF inclui os estágios que trabalham com rádio-frequência - amplificador RF, mixer, oscilador local, além dos estágios de UHF; as frequências neste setor estão acima de 54 MHz. O setor de FI inclui o estágio FI onde a frequência de trabalho fica entre 41 MHz e 47 MHz, conhecida por frequência intermediária; na prática este estágio é composto por 3 ou 4 sub-estágios. O setor de vídeo começa no detector de vídeo e abrange a amplificação do sinal até a grade do CRT, com frequências entre zero e 5 MHz. O setor de som tem a FI de som de 4,5 MHz e os demais estágios de demodulação e amplificação de áudio com frequências até 20 KHz. O setor de deflexão inclui todos circuitos de sincronismos horizontal e vertical até as bobinas no yoke. Por fim temos o setor da fonte de tensão.  

Quando fixado numa posição pelo telespectador o seletor de canais seleciona uma bobina no amplificador RF que o faz entrar em ressonância com a faixa de um canal, amplificando-a e bloqueando as outras emissoras. Ao mesmo tempo ele seleciona no oscilador local outra bobina que o faz oscilar 45,75 MHz acima da frequência portadora de vídeo do canal sintonizado. O mixer recebe as duas entradas - faixa do canal sintonizado e oscilador local - misturando-as e como resultado apresentando na saída a diferença entre elas- que será o mesmo sinal transmitido pela emissora mas deslocado para a faixa de 41 MHz a 47 MHz, com a nova portadora de vídeo em 45,75 MHz. Chama- se conversor ao conjunto mixer mais oscilador local.

Se o receptor estiver sintonizado em canal UHF o oscilador local VHF é
desativado. O seletor de canais UHF seleciona bobinas no mixer UHF e no oscilador UHF, tal que o primeiro seja ressonante com a faixa de frequência do canal sintonizado e o segundo oscile 45,75 MHz acima da portadora de vídeo deste canal. A saída do mixer será o mesmo sinal do canal mas convertido à faixa de 41 MHz a 47 MHz, tal como acontece na sintonização VHF. O amplificador RF e o mixer VHF transformam-se em amplificadores para a sintonização UHF.

O FI- frequência intermediária filtra somente a nova faixa de frequência, para a qual todos os canais são convertidos, de 41 MHz a 47 MHz. Os filtros são altamente seletivos, bloqueando ruídos e interferências e dando grande amplificação ao sinal. O processo de converter todos os canais a uma única frequência intermediária é denominado super-heteródino.

O detector de vídeo retifica a saída de FI (semelhante à retificação de sinal ac para dc em fonte de tensão), deixando passar apenas uma de suas polaridades (positiva ou negativa) ao mesmo tempo em que bloqueia a portadora FI, recuperando o sinal de vídeo sem modulação.

O amplificador de vídeo recebe o sinal de vídeo já demodulado, incluindo sincronismos, e o amplifica para controlar o feixe eletrônico na grade de controle do CRT. O sinal amplificado também é distribuído para os estágios de AGC e deflexão.

Uma amostra do sinal de vídeo é enviada ao AGC ("automatic gain control", controle automático de ganho), que gera uma tensão dc proporcional à sua amplitude e com ela altera as polarizações do amplificador RF e do FI. Se o sinal for fraco a polarização é incrementada, aumentando a amplificação e a amplitude do sinal. Se o sinal for forte a polarização é diminuída, enfraquecendo o sinal. Desta maneira obtém-se estabilidade no nível do sinal chegando ao detector de vídeo.

O separador de sinc é ativado somente pela ponta de sinc (H ou V), separando-o para os estágios de deflexão. O integrador vertical bloqueia o sinc H, deixando passar o sinc V que sincroniza o oscilador vertical de 60 Hz, forçando-o a trabalhar com a mesma frequência e fase do sincronismo emitido pela câmera no apagamento do retraço vertical. A saída do oscilador é amplificada no amplificador vertical e encaminhada a bobina vertical no yoke. O diferenciador horizontal  bloqueia o sinc V e deixa passar o sinc H para o AFC ("automatic frequency control", controle automático de frequência). Este ainda recebe uma amostra da saída da deflexão horizontal de 15 750 Hz, comparando as duas entradas e forçando o oscilador horizontal a trabalhar na mesma frequência do sincronismo emitido pela câmera no apagamento do retraço horizontal. A saída deste oscilador é amplificada no amplificador horizontal e injetada na bobina horizontal do yoke. Observe que os osciladores vertical e horizontal funcionam mesmo sem os sinc H e V, apenas são sincronizados por eles; desta maneira se não houver sincronismos (por exemplo, sintonizando canal vago) os circuitos continuarão a produzir as deflexões do feixe eletrônico, formando uma imagem branca (com chuviscos) na tela.

A saída do oscilador horizontal é acoplada também ao transformador flyback (lê-se "fláibec"), produzindo alta voltagem ac na sua saída (devido à frequência das oscilações e ao curtíssimo tempo de corte da corrente no retraço), que é retificado no retificador MAT e aparece como 15 000 Volts dc no anodo do CRT. O sinal apresentaria problemas de estabilidade na bobina no início do retraço. O damper  ("amortecedor") recebe do flyback as mesmas oscilações e dirige a deflexão da bobina horizontal no início do retraço (cerca de 25% da varredura no início da linha).

Na transmissão a portadora de vídeo foi modulada AM pela sub-portadora de som (4,5 MHz). No receptor estas duas portadoras estão presentes no detector de vídeo, ocorrendo demodulação e recuperando-se o sinal FM de som com frequência central 4,5 MHz, que é filtrada pelo trap ("armadilha") e enviada para amplificação no FI de som. Na sua saída ocorre a demodulação FM no detector de áudio, recuperando-se o sinal de áudio que é amplificado no amplificador de áudio e a seguir excita o alto-falante.

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